Tuesday, April 24, 2007

Miss Jane Marple

Miss Jane Marple é uma detetive de ficção velhinha criada por Agatha Christie. Nunca atingiu o sucessso de Poirot, mas é a segunda personagem mais famosa da Dama do Crime. Fofoqueira e, aparentemente, muito atrapalhada, Miss Marple desvenda os mais intricados mistérios baseando-se apenas em mexericos e em lembranças de pessoas que conheceu em seus mais de setenta anos. Seu primeiro caso foi The Murder at the Vicarage (Assasinato na Casa do Pastor no Brasil ou Crime no Vicariato em Portugal) e o último, Sleeping Murder (Um Crime Adormecido no Brasil).


No livro Nêmesis, Agatha Christie descreve de maneira bem peculiar sua personagem, dizendo ao leitor que não é Marple que procura crimes para desvendar, mas que o mal está sempre perto dela, o que não agrada a personagem, mostrando que não é ela que escolhe estar perto de tantos assassinos. Muitos leitores admiram a detetive criada por Agatha, muitas vezes pelo fato de ser somente uma senhora inglesa solteira com inteligênca descomunal.


A fragilidade e a idade avançada de Mis Marple fazem com que várias vezes seja subestimada pelos personagens dos romances que ela aparece, como no seu livro de estréia (Assasinato na Casa do Pastor) em que várias de suas observações e opiniões foram ignoradas pelo detetive encarregado do caso, má impressão essa que some no momento em que Marple desvenda o crime, o que o próprio detetive não conseguiu.


Fisicamente Miss Marple é uma velha senhora de frágil aparência, inglesa, branca de alvos cabelos. Ela é uma boa representação da típica mulher idosa inglesa da época Miss Marple teve o mesmo destino de Hercule Poirot, morendo em seu último romance.
Retirado de "
http://pt.wikipedia.org/wiki/Miss_Marple"
Curiosidades:
Aparece em 12 livros
a sua cidade era de St. Mary Mead
Mas é certo que a idosa engraçada e curiosa teve um bom livro tal como o anuncio de um crime
Beijinhos



Monday, April 23, 2007

Gosto que gostem do meu blog mas tambem visitem o oficial http://uk.agathachristie.com/site/home/ criado pelo seu neto Mathew Prichard


Beijinhos

Livros e Cançoes

Mas quem nunca leu um livro da Querida AC o pode fazer agora neste blog, que lhe trás todas as informçaoes

Mas é uma introduçao
..:: Introdução do livro "Passageiro para Frankfurt" ::..
Livro Que ainda nao li =)


Fala a autora:
A primeira pergunta que se faz a um escritor, pessoalmente ou pelo correio, é:
- Aonde o senhor vai buscar suas idéias?
É muito grande a tentação de responder assim: - "Sempre vou à Sears", ou "A maior parte eu consigo nos armazéns da Marinha e do Exército", ou, energicamente - "Por que não tenta um supermercado?".
A opinião universal parece acreditar firmemente na existência de uma fonte mágica de idéias que os escritores aprenderam a utilizar.
Na pior das hipóteses, podemos enviar os perguntadores de volta aos tempos elizabetanos, com esta saída de Shakespeare:
Diga-me onde nasce a fantasia,
Se é no coração ou na cabeça,
Como se origina, como se alimenta?
Responda, responda.
A pessoa só pode dizer com firmeza:
- Na minha própria cabeça.
Isto, é claro, não vai ajudar ninguém. Se você gostou da cara de quem lhe está fazendo a pergunta, vai um pouco mais longe.
- Se você se sentiu atraído por alguma idéia em particular e acha que pode fazer alguma a partir dali, você a vira pelo avesso, faz travessuras com ela, abranda-a e, gradualmente, lhe dá uma forma. Então, é lógico, precisa começar a escrevê-la. Não é tão fácil quanto você está pensando: - torna-se um trabalho duro. Outra alternativa é arquivá-la cuidadosamente numa gaveta, para talvez usá-la dentro de um ano ou dois.
Uma segunda pergunta - ou quase uma afirmação - é então a mais provável:
- Eu creio que a senhora tira suas personagens da vida real.
A resposta é uma negativa indignada para tão monstruosa sugestão.
- Não, é claro que não! Eu as invento. Eles são meus. Têm de ser as minhas personagens - fazendo o que eu quero que eles façam, sendo o que eu quero que eles sejam - tornando-se vivos para mim, tendo às vezes as suas próprias idéias, apenas porque eu as tornei reais.
Em resumo, o autor produz as suas próprias idéias e as suas personagens. Mas aparece agora uma terceira necessidade - o ambiente. As duas primeiras vêm de fontes internas mas a terceira vem de fora, precisa estar lá, à espera,existindo realmente. Você não o inventa - ele está ali - é real.
Talvez você tenha chegado de um passeio pelo Nilo, lembra-se de tudo - exatamente o cenário de que necessita para esta história particular. Fez uma refeição num café em Chelsea. Havia uma briga por perto - uma garota puxou o cabelo de uma outra. Excelente princípio para o próximo livro que vai começar. Você viajou pelo Orient Express. Que divertido fazer dele o cenário para a próxima trama que está imaginando! Você vai tomar chá com uma amiga. Quando chega lá, o irmão dela fecha um livro que está lendo, joga-o de lado e diz: - "Não é mau, mas por que diabos não perguntaram ao Evans?".
Imediatamente você decide que vai escrever um livro com este título - "Por que não perguntaram ao Evans?".
Você ainda não sabe quem vai ser o Evans. Não tem importância. Evans aparecerá quando chegar a hora - é o título que está pronto.
Logo, você não inventa os ambientes. Eles estão à sua volta, em torno de você, existem - você tem apenas de estender a mão, apanhá-los e escolher. Um trem de ferro, um hospital, um hotel de Londres, uma praia do Caribe, uma cidadezinha do interior, uma festa, uma escola de meninas.
Apenas uma coisa conta - eles precisam estar ali - na realidade. Pessoas verdadeiras, lugares verdadeiros. Um local bem definido no tempo e no espaço. É preciso ser aqui e ser agora - senão como você vai conseguir saber de tudo? A não ser pela própria evidência de seus olhos e seus ouvidos? A resposta é assustadoramente simples.
É o que a imprensa lhe dá todos os dias, em seu jornal matutino sob o nome geral de '"Notícias". Pegue as da primeira página. Que está acontecendo no mundo de hoje? Que é que cada um está dizendo, pensando, fazendo? Levante um espelho e veja a Inglaterra em 1970.
Olhe para as manchetes todos os dias durante um mês, tome notas, considere-as e classifique-as.
Todos os dias há um crime.
Uma moça estrangulada.
Uma mulher idosa atacada e roubada em suas magras economias.
Rapazes e meninos - atacando ou sendo atacados.
Edifícios e cabinas telefônicas arrebentadas e estripadas.
Contrabando de drogas.
Crianças desaparecidas e corpos de crianças assassinadas encontrados perto das casas onde moravam.
Isto pode ser a Inglaterra? A Inglaterra é realmente assim? A gente sente - não - ainda não, mas pode ser assim.
O terror está despertando - o terror do que pode vir a acontecer. Não somente por causa dos acontecimentos atuais, mas também pelas possíveis causas que estão por detrás deles. Algumas você conhece, outras não, mas sente. E não apenas em nosso próprio país. Há pequenos parágrafos em outras páginas - trazendo notícias da Europa, da Ásia das Américas - notícias de todo o mundo.
Seqüestro de aviões.
Raptos.
Violência.
Desordens.
Ódio.
Anarquia.- cada vez maior.
Tudo parece levar-nos a adorar a destruição, a ter prazer na crueldade.
Que significa tudo isso? Uma frase do passado ecoa, falando da Vida:
... é uma lenda
Contada por um idiota, cheia de sons e de fúria,
Que não significa nada.
E, no entanto, você sabe - por seus próprios conhecimentos - quanta bondade existe ainda no mundo de hoje: as generosidades feitas, a bondade de um coração, os atos de compaixão, a ajuda entre vizinhos, as boas ações de meninos e meninas.
Então, por que esta fantástica atmosfera dos fatos cotidianos - das coisas que acontecem - e que são os fatos verdadeiros?
Para se escrever uma história neste ano da Graça de Nosso Senhor Jesus Cristo de 1970, você precisa estar enfronhada em seu ambiente. Se o ambiente é fantástico, então a história precisa aceitar o seu cenário. Precisa, igualmente, ser uma fantasia - uma extravagância. A montagem precisa incluir os fatos fantásticos da vida de hoje.
Consideremos uma causa extravagante? Uma campanha secreta para tomar o Poder? Poderia um desejo maníaco de destruição criar um mundo novo? Alguém poderia dar um passo à frente e sugerir uma libertação por meios absurdos?
Nada é impossível, a ciência já nos ensinou isso.
Esta história, em sua essência, é uma fantasia. Não pretende ser nada mais do que isto.
Mas a maior parte das coisas que acontecem nela estão acontecendo ou prometendo que irão acontecer no mundo de hoje.
Não é uma história impossível - é apenas uma história fantástica.
Agatha Christie

Então agora vá comprar o livro ou o procure numa biblioteca, pois a cultura nao tem preço =)

Cantigas infantis, versinhos, frases e pensamentos que povoam as histórias da Dama do Crime

Portal do Destino
A Maldição do Espelho
Assassinato no Beco
Um Pressentimento Funesto
Seguindo a Correnteza
A Mão Misteriosa
Passageiro para Frankfurt
A Mansão Hollow
Punição para a Inocência
O Misterioso Sr. Quin
Noite sem Fim
O Gigante

para puderem ouvir vao a: http://acbr.luky.com.br/agatha/cantigas/index.php

Beijinhos

Livros escritos pela Dama do Crime - ordenados pelo seu ano de publicação - e seus principais personagens.


O Misterioso Caso de Styles
1920
Poirot
O Inimigo Secreto
1922
Tommy & Tuppence
Assassinato no Campo de Golfe
1923
Poirot
O Homem do Terno Marrom
1924
Cel. Race
Poirot Investiga
1924
Poirot
O Segredo de Chimneys
1925
Sup. Battle
O Assassinato de Roger Ackroyd
1926
Poirot
Os Quatro Grandes
1927
Poirot
O Mistério do Trem Azul
1928
Poirot
O Mistério dos Sete Relógios
1929
Sup. Battle
Sócios no Crime
1929
Tommy & Tuppence
Assassinato na Casa do Pastor
1930
Miss Marple
O Gigante
1930
Romance sob pseudônimo de Mary Westmacott
O Misterioso Sr. Quin
1930
Quin e Satterthwaite
A Morte do Almirante
1931
Escrito com outros autores
O Mistério de Sittaford
1931

A Casa do Penhasco
1932
Poirot
Os Treze Problemas
1932
Miss Marple
Treze à Mesa
1933
Poirot
Por que não pediram a Evans?
1934

Assassinato no Expresso do Oriente
1934
Poirot
O Detetive Parker Pyne
1934
Parker Pyne & Ariadne Oliver
O Retrato
1934
Romance sob pseudônimo de Mary Westmacott
Tragédia em Três Atos
1935
Poirot e Satterthwaite
Morte nas Nuvens
1935
Poirot
Os Crimes A.B.C.
1936
Poirot
Morte na Mesopotâmia
1936
Poirot
Cartas na Mesa
1936
Poirot, Battle, Ariadne Oliver e Race
Poirot Perde uma Cliente
1937
Poirot
Morte no Nilo
1937
Poirot e Race
Assassinato no Beco
1937
Poirot
Encontro com a Morte
1938
Poirot
O Natal de Poirot
1938
Poirot
É Fácil Matar
1939
Sup. Battle
O Caso dos Dez Negrinhos
1939

Um Acidente e Outras Histórias
1939

Cipreste Triste
1940
Poirot
Uma Dose Mortal
1940
Poirot
Morte na Praia
1941
Poirot
M ou N?
1941
Tommy & Tuppence
Um Corpo na Biblioteca
1942
Miss Marple
A Mão Misteriosa
1942
Miss Marple
Os Cinco Porquinhos
1943
Poirot
A Ausência
1944
Romance sob pseudônimo de Mary Westmacott
Hora Zero
1944
Sup. Battle
E no Final a Morte
1945

Um Brinde de Cianureto
1945
Cel. Race
A Mansão Hollow
1946
Poirot
Desenterrando o Passado
1946
Romance
Os Trabalhos de Hércules
1947
Poirot
Seguindo a Correnteza
1948
Poirot
Testemunha de Acusação
1948
Peça Teatral
O Conflito
1948
Romance sob pseudônimo de Mary Westmacott
A Casa Torta
1949

Os Três Ratos Cegos e Outras Histórias
1950
Poirot, Miss Marple e Quin
Convite para um Homicídio
1950
Miss Marple
Aventura em Bagdá
1951

A Morte da Sra. McGinty
1952
Poirot e Ariadne Oliver
A Filha
1952
Romance sob pseudônimo de Mary Westmacott
Um Passe de Mágica
1952
Miss Marple
Cem Gramas de Centeio
1953
Miss Marple
Depois do Funeral
1953
Poirot
Um Destino Ignorado
1954

A Ratoeira
1954
Peça Teatral
Morte na Rua Hickory
1955
Poirot
A Carga
1956
Romance sob pseudônimo de Mary Westmacott
A Extravagância do Morto
1956
Poirot e Ariadne Oliver
A Testemunha Ocular do Crime
1957
Miss Marple e Craddock
Punição para a Inocência
1958

Um Gato entre os Pombos
1959
Poirot
As Aventuras do Pudim de Natal
1960
Poirot e Miss Marple
O Cavalo Amarelo
1961
Ariadne Oliver
A Maldição do Espelho
1962
Miss Marple e Craddock
Os Relógios
1963
Poirot
Mistério no Caribe
1964
Miss Marple
O Caso do Hotel Bertram
1965
Miss Marple
A Terceira Moça
1966
Poirot e Ariadne Oliver
Noite sem Fim
1967

Um Pressentimento Funesto
1968
Tommy & Tuppence
Noite das Bruxas
1969
Poirot e Ariadne Oliver
Passageiro para Frankfurt
1970

A Mina de Ouro
1971

Nêmesis
1971
Miss Marple
Os Elefantes não Esquecem
1972
Poirot e Ariadne Oliver
Portal do Destino
1973
Tommy & Tuppence
Os Primeiros Casos de Poirot
1974
Poirot
Cai o Pano
1975
Poirot
Um Crime Adormecido
1976
Miss Marple
Autobiografia
1977
O Cadáver atrás do Biombo
1983
Escrito com outros autores
Enquanto Houver Luz
1997
de Charles Osborne
Café Preto
1997
de Charles Osborne
O Visitante Inesperado

Verdades

Controvérsia
Em sua autobiografia Agatha descreve o crescente distanciamento entre ela e o marido após a compra de uma casa no campo, quando ele se tornou afeito ao golfe, dedicando a maior parte dos seus fins-de-semana ao desporto. Mas a crise sobreveio quando, após a morte da sua mãe, Agatha precisou de assumir a organização da propriedade da família, Ashfield, em Torquay. Ela e o marido combinaram que iriam fechar a sua casa e ela passaria o Verão em Ashfield com a filha Rosalind, enquanto Archibald Christie, que trabalhava em Londres, ficaria a pernoitar no seu Clube, na cidade. Com a missão concluída, a família reencontrar-se-ia para uma viagem à Itália.

Agatha passou cerca de três meses a separar sozinha os documentos e objectos antigos da família, decidindo o que seria doado, deitado fora, distribuído entre os parentes – tarefa que, combinada com o seu sofrimento pela morte da mãe, a mergulhou numa profunda depressão. Na data combinada, Archibald Christie chegou e disse que não desejava mais viajar; por fim, acabou por confessar que durante a sua temporada sozinho em Londres se envolvera com outra mulher (Nancy Neele) e queria o divórcio para se poderem casar.

Esses eventos levaram ao colapso nervoso que culminou com o famoso desaparecimento da escritora.

Em Dezembro de 1926, o carro de Agatha foi encontrado abandonado, com as portas abertas, à beira de um lago, sem nenhum bilhete ou indício que indicasse o seu paradeiro. Foram feitas buscas intensas, sem sucesso; falou-se de rapto, suicídio e assassinato; o marido infiel virou suspeito; no entanto, depois de 12 dias, o empregado de um hotel na cidade de Harrogate contactou a polícia informando que uma hóspede parecia-se muito com as fotos divulgadas da desaparecida. Chegando ao local, os investigadores constataram que tratava-se de facto de Agatha Christie, que se havia registado no hotel sob o nome de Theresa Neele (o mesmo apelido da amante do seu marido).

A despeito das diversas teorias aventadas sobre o episódio – inclusive a acusação de que se tratara de um golpe publicitário – a autora jamais entrou em detalhes sobre o acontecido; a declaração oficial foi de que ela tinha sofrido um colapso nervoso que provocara uma crise de amnésia temporária.

Embora em seus livros autobiográficos não haja quase nenhuma informação sobre o desaparecimento, acredita-se que em "O Retrato", publicado sob o nome de Mary Westmacott, Agatha conte muito da sua história através da personagem Celia, que pensa em suicídio após ser abandonada pelo marido.

Será isso verdade?
Vejam isto que enocntrei na net, fala sobre as várias ideias uma a uma a que levaram a isso

Que bom ver todos reunidos aqui na biblioteca da mansão. Conforme o prometido, entreterei vocês esta noite, falando sobre o maior mistério da vida da Agatha: seu "inexplicável" desaparecimento durante três semanas no ano de 1926.
Durante este período, ela andou vagando pelo interior da Inglaterra, reaparecendo semanas depois, sem memória e hospedada em um hotel. O que pretendo esclarecer neste e-mail é o porquê dessa perda de memória. Por onde ela andou, bom, isso só Deus sabe (só Deus mesmo, lembrem-se que a própria Agatha estava desmemoriada).
A pergunta que vou responder é: o que leva uma pessoal normal (ou genial, no caso dela) a agir de modo tão estranho?
A resposta chegou até mim através de um documento "ultra-secreto", que na verdade é um livro que, apesar de escrito pela Dama do Crime, muitos poucos de seus fãs se dão ao trabalho de ler: a sua autobiografia!
Começamos a desvendar o mistério por trás do desaparecimento de Agatha ao sabermos que no início do ano de 1926 algo muito ruim aconteceu na vida da escritora:
"Foi quando subi num trem em Manchester que soube, subitamente, que mamãe morrera. Senti um frio, como se tivesse sido invadida, dos pés à cabeça, por uma frialidade mortal e então pensei: "mamãe morreu"."
Este foi o primeiro golpe que a escritora sofreu naquele ano e as conseqüências desse golpe foram muito mais extensas do que se pode imaginar. Agatha teve que abandonar o marido em Londres e se mudar para a casa que era de sua família, Ashfield. Lá, ela tinha muito trabalho a fazer: selecionar bens de família para vender, jogar fora outros tantos, enfim, cuidar da propriedade que enquanto sua mãe era viva, havia se transformado em uma espécie de depósito de relíquias da família Miller.
Foi então que ela sofreu um segundo golpe:
"O Destino desferiu-me mais um golpe, que foi a perda da companhia da minha querida amiga Carlo. Seu pai e madrasta estavam viajando na África e ela soube, repentinamente, que seu pai se achava muito doente no Quênia, e que o diagnóstico do médico fora câncer..."
Carlo era na ocasião, a melhor amiga da Agatha, aquele tipo de amiga que toda mulher tem, sabem? A "melhor amiga", a confidente, etc. Nesse ponto, Agatha já sentia que também estava doente. Em Ashfield, sem marido e sem a melhor amiga, sofrendo a dor da perda da mãe e cercada por uma mar de recordações de tempos felizes, Agatha adoeceu severamente. E, apesar de ela nada mencionar a respeito de seu posterior desaparecimento por três semanas, a Dama do Crime, com sua própria mão, revelou a chave do enigma e o nome do mal que lhe afligiu:
"Uma terrível sensação de solidão passou a se apoderar de mim. Acho que não entendi que, pela primeira vez na minha vida, estava seriamente doente. Fora sempre muito saudável e não tinha experiência de como a infelicidade, os desgostos e a estafa podem afetar a saúde física. Fiquei, porém, aflita, quando, um dia, ia assinar um cheque e não conseguia saber com que nome assiná-lo!"
Além desse episódio, Agatha ainda conta que dias depois, o seu carro não pegava e ela desatou a chorar, inconsolavelmente. Ela mesma se pergunta: por que alguém cairia em um choro compulsivo por causa de um simples carro que não liga o motor? Foi somente muitos anos mais tarde, quando uma amiga da escritora relatou para ela sintomas semelhantes (a amiga se pegou chorando porque a roupa da lavanderia não havia chegado na hora certa), foi somente nessa ocasião, que algo despertou dentro da escritora e ela aconselhou a amiga:
"Acho que você deve se cuidar; provavelmente estes são os primeiros sintomas de uma depressão nervosa. Você deve consultar o médico".
Aqui está a chave de tudo, amigos! Antes mesmo do seu divórcio, Agatha já revela que uma doença terrível a está afetando e vejam o exemplo: ela simplesmente surta e esquece o seu nome quando tem que assinar um cheque. A Dama do Crime está sofrendo de depressão.
O golpe que ela sofre a seguir é algo que eu não desejaria nem para um cachorro. "Archie" (seu marido) também tem os seus próprios problemas: ele não suporta a infelicidade, ele precisa fugir de doenças e de infelicidade ao seu redor. Agatha é bem honesta ao dividir a culpa do divórcio entre ela e Archie, inclusive chamando toda a responsabilidade para si. Afinal, diz ela, "Archie" foi esquecido e com isso abriu-se espaço para que ele sofresse outras influências.
Mas o fato é que o Sr. Archibald Christie apareceu num final de semana em Ashfield para comunicar que havia se envolvido com outra mulher e que pretendia deixar Agatha. Não havia mais possibilidade de permanecer com uma "infeliz" Agatha.
Imaginem a situação: Agatha está doente, sua doença já causou surtos nos quais ela esqueceu de assinar o próprio nome em uma folha de cheque. Perdeu a mãe, está sem o amparo da melhor amiga e agora, fica sem o marido.
Agatha pula essa parte, mas só quem não quer ver é que pode continuar míope diante destes fatos. Agatha simplesmente teve mais um surto, dessa vez muito mais violento do que simplesmente "esquecer o nome". Ela se esqueceu de quem era por completo e saiu vagando pela Inglaterra. Na autobiografia, mais dois fatos podem ser acrescentados: desde pequena ela adorava "explorar" lugares desconhecidos e também havia a ligação emocional com o seu primeiro carro, o prazer de guiá-lo e de ter liberdade para ir onde quisesse.
Deste modo, ela teve a crise mais violenta, o "auge" de sua doença, bloqueando totalmente sua mente e só sendo encontrada semanas depois. O detalhe do nome que ela preencheu no livro do hotel (o nome da amante do marido) é muito interessante para os psis analisarem: eu partucularmente acredito que, uma vez tendo apagado da memória todos os fatos referentes a quem ela era, a dama lembrou-se de assinar o nome de quem ela gostaria de ser naquele momento.
Felizmente, a Dama foi encontrada no hotel e recuperou a memória e é comovente o seu relato de como enfrentou a doença por mais um ano, tendo esperanças de que o marido reconsiderasse sua decisão antes e conceder-lhe o divórcio. Quem já passou por situações semelhantes, deve conseguir entender como é difícil lidar com a sensação de que o mundo acabou.
Uma das coisas que a Agatha escreveu que mais me tocou (porque infelizmente, eu sei como isso é), foi que durante a crise, tudo o que ela não queria era lembrar de momentos felizes do passado. E isso é verdade, pessoal. Durante a depressão, recordar de coisas boas do passado só faz a realidade do presente ficar muito mais fria e dura. Basta dizer que a nossa escritora pensou inclusive em acabar com o sofrimento de uma vez, pela via-expressa. Death Greets me warm, now I will just say good-bye (Fade To Black - Metallica).
Esclarecido o mistério, quero aproveitar que ninguém está lendo este enorme e-mail e falar sobre mais um detalhe fantástico. Algo que me fez ver a Dama do Crime não só como uma escritora genial, mas também como um ser humano fantástico, uma mulher digna de toda a minha admiração e meu respeito. O detalhe é Rosalind.
Rosalind era uma criança de pouco mais de seis anos quando tudo aquilo ocorreu. Agatha não estava propriamente só em Ashfield, quando a depressão a atingiu. Rosalind, sua única filha, estava lá com ela. Vejam o comentário da escritora:
"Tinha Rosalind, é certo, evidentemente, porém, não podia dizer-lhe nada que a afligisse ou falar-lhe de desgostos ou de preocupações ou de doenças. Ela se sentia particularmente feliz, apreciando muitíssimo sua estada em Ashfield, como sempre - e ajudando-me muito em meus afazeres. Gostava de carregar coisas pelas escadas abaixo e joga-las no caixote do lixo e, por vezes, escolhendo algo para ela: "acho que ninguém vai querer isso aqui, acho que vou guardar".
Agatha, uma Mãe de Verdade, deixa claro que em nenhum momento esqueceu Rosalind. A felicidade da filha é sempre colocada em primeiro plano. Todo o processo decisório envolvendo o divórcio e sua posterior união com Max Mallowan (o segundo marido) foi ponderado levando em conta um fator: "isso será bom para Rosalind?"
A história da crise da Agatha acaba com uma longa viagem, que ela precisava fazer imediatamente após ter concedido o divórcio para o "Archie". Ela precisava fugir das recordações, fugir de Ashfield e de Londres, por um tempo, até que a dor passasse. E Rosalind? Onde ficou? Ora, mas que pergunta! Rosalind foi junto com a sua mãe na viagem. E Carlo, a melhor amiga, foi junto também! E elas voltaram, Agatha conheceu outro homem, muito melhor que o fujão anterior, e nunca mais teve nenhuma recaída. Literalmente, eles viveram felizes para sempre! :-)
"So close no matter how farcouldn't be much more from the heartforever trusting who we areand nothing else matters"Metallica - Nothing Else Matters

Bônus Pack: Agatha também sofreu bloqueio de escritora quando sua mãe morreu. Ao se recuperar do divórcio, ela ainda nada conseguia escrever. Recomendaram então que ela juntasse as pressas algumas novelas antigas e fizesse um livro para ganhar um dinheiro... ela fez isso, mal se dando conta do que escrevia. O resultado foi "Os Quatro Grandes". Conforme eu sempre suspeitei: eis aí a explicação para a "amarração" precária do livro e seu final um tanto quanto abrupto. No entanto, tanto eu quanto a Agatha nos surpreendemos favoravelmente com o sucesso que o livro fez. :-)
Escrito por Samael em 06-10-2003

Verdades

Controvérsia
Em sua autobiografia Agatha descreve o crescente distanciamento entre ela e o marido após a compra de uma casa no campo, quando ele se tornou afeito ao golfe, dedicando a maior parte dos seus fins-de-semana ao desporto. Mas a crise sobreveio quando, após a morte da sua mãe, Agatha precisou de assumir a organização da propriedade da família, Ashfield, em Torquay. Ela e o marido combinaram que iriam fechar a sua casa e ela passaria o Verão em Ashfield com a filha Rosalind, enquanto Archibald Christie, que trabalhava em Londres, ficaria a pernoitar no seu Clube, na cidade. Com a missão concluída, a família reencontrar-se-ia para uma viagem à Itália.

Agatha passou cerca de três meses a separar sozinha os documentos e objectos antigos da família, decidindo o que seria doado, deitado fora, distribuído entre os parentes – tarefa que, combinada com o seu sofrimento pela morte da mãe, a mergulhou numa profunda depressão. Na data combinada, Archibald Christie chegou e disse que não desejava mais viajar; por fim, acabou por confessar que durante a sua temporada sozinho em Londres se envolvera com outra mulher (Nancy Neele) e queria o divórcio para se poderem casar.

Esses eventos levaram ao colapso nervoso que culminou com o famoso desaparecimento da escritora.

Em Dezembro de 1926, o carro de Agatha foi encontrado abandonado, com as portas abertas, à beira de um lago, sem nenhum bilhete ou indício que indicasse o seu paradeiro. Foram feitas buscas intensas, sem sucesso; falou-se de rapto, suicídio e assassinato; o marido infiel virou suspeito; no entanto, depois de 12 dias, o empregado de um hotel na cidade de Harrogate contactou a polícia informando que uma hóspede parecia-se muito com as fotos divulgadas da desaparecida. Chegando ao local, os investigadores constataram que tratava-se de facto de Agatha Christie, que se havia registado no hotel sob o nome de Theresa Neele (o mesmo apelido da amante do seu marido).

A despeito das diversas teorias aventadas sobre o episódio – inclusive a acusação de que se tratara de um golpe publicitário – a autora jamais entrou em detalhes sobre o acontecido; a declaração oficial foi de que ela tinha sofrido um colapso nervoso que provocara uma crise de amnésia temporária.

Embora em seus livros autobiográficos não haja quase nenhuma informação sobre o desaparecimento, acredita-se que em "O Retrato", publicado sob o nome de Mary Westmacott, Agatha conte muito da sua história através da personagem Celia, que pensa em suicídio após ser abandonada pelo marido.

Será isso verdade?
Vejam isto que enocntrei na net, fala sobre as várias ideias uma a uma a que levaram a isso

Que bom ver todos reunidos aqui na biblioteca da mansão. Conforme o prometido, entreterei vocês esta noite, falando sobre o maior mistério da vida da Agatha: seu "inexplicável" desaparecimento durante três semanas no ano de 1926.
Durante este período, ela andou vagando pelo interior da Inglaterra, reaparecendo semanas depois, sem memória e hospedada em um hotel. O que pretendo esclarecer neste e-mail é o porquê dessa perda de memória. Por onde ela andou, bom, isso só Deus sabe (só Deus mesmo, lembrem-se que a própria Agatha estava desmemoriada).
A pergunta que vou responder é: o que leva uma pessoal normal (ou genial, no caso dela) a agir de modo tão estranho?
A resposta chegou até mim através de um documento "ultra-secreto", que na verdade é um livro que, apesar de escrito pela Dama do Crime, muitos poucos de seus fãs se dão ao trabalho de ler: a sua autobiografia!
Começamos a desvendar o mistério por trás do desaparecimento de Agatha ao sabermos que no início do ano de 1926 algo muito ruim aconteceu na vida da escritora:
"Foi quando subi num trem em Manchester que soube, subitamente, que mamãe morrera. Senti um frio, como se tivesse sido invadida, dos pés à cabeça, por uma frialidade mortal e então pensei: "mamãe morreu"."
Este foi o primeiro golpe que a escritora sofreu naquele ano e as conseqüências desse golpe foram muito mais extensas do que se pode imaginar. Agatha teve que abandonar o marido em Londres e se mudar para a casa que era de sua família, Ashfield. Lá, ela tinha muito trabalho a fazer: selecionar bens de família para vender, jogar fora outros tantos, enfim, cuidar da propriedade que enquanto sua mãe era viva, havia se transformado em uma espécie de depósito de relíquias da família Miller.
Foi então que ela sofreu um segundo golpe:
"O Destino desferiu-me mais um golpe, que foi a perda da companhia da minha querida amiga Carlo. Seu pai e madrasta estavam viajando na África e ela soube, repentinamente, que seu pai se achava muito doente no Quênia, e que o diagnóstico do médico fora câncer..."
Carlo era na ocasião, a melhor amiga da Agatha, aquele tipo de amiga que toda mulher tem, sabem? A "melhor amiga", a confidente, etc. Nesse ponto, Agatha já sentia que também estava doente. Em Ashfield, sem marido e sem a melhor amiga, sofrendo a dor da perda da mãe e cercada por uma mar de recordações de tempos felizes, Agatha adoeceu severamente. E, apesar de ela nada mencionar a respeito de seu posterior desaparecimento por três semanas, a Dama do Crime, com sua própria mão, revelou a chave do enigma e o nome do mal que lhe afligiu:
"Uma terrível sensação de solidão passou a se apoderar de mim. Acho que não entendi que, pela primeira vez na minha vida, estava seriamente doente. Fora sempre muito saudável e não tinha experiência de como a infelicidade, os desgostos e a estafa podem afetar a saúde física. Fiquei, porém, aflita, quando, um dia, ia assinar um cheque e não conseguia saber com que nome assiná-lo!"
Além desse episódio, Agatha ainda conta que dias depois, o seu carro não pegava e ela desatou a chorar, inconsolavelmente. Ela mesma se pergunta: por que alguém cairia em um choro compulsivo por causa de um simples carro que não liga o motor? Foi somente muitos anos mais tarde, quando uma amiga da escritora relatou para ela sintomas semelhantes (a amiga se pegou chorando porque a roupa da lavanderia não havia chegado na hora certa), foi somente nessa ocasião, que algo despertou dentro da escritora e ela aconselhou a amiga:
"Acho que você deve se cuidar; provavelmente estes são os primeiros sintomas de uma depressão nervosa. Você deve consultar o médico".
Aqui está a chave de tudo, amigos! Antes mesmo do seu divórcio, Agatha já revela que uma doença terrível a está afetando e vejam o exemplo: ela simplesmente surta e esquece o seu nome quando tem que assinar um cheque. A Dama do Crime está sofrendo de depressão.
O golpe que ela sofre a seguir é algo que eu não desejaria nem para um cachorro. "Archie" (seu marido) também tem os seus próprios problemas: ele não suporta a infelicidade, ele precisa fugir de doenças e de infelicidade ao seu redor. Agatha é bem honesta ao dividir a culpa do divórcio entre ela e Archie, inclusive chamando toda a responsabilidade para si. Afinal, diz ela, "Archie" foi esquecido e com isso abriu-se espaço para que ele sofresse outras influências.
Mas o fato é que o Sr. Archibald Christie apareceu num final de semana em Ashfield para comunicar que havia se envolvido com outra mulher e que pretendia deixar Agatha. Não havia mais possibilidade de permanecer com uma "infeliz" Agatha.
Imaginem a situação: Agatha está doente, sua doença já causou surtos nos quais ela esqueceu de assinar o próprio nome em uma folha de cheque. Perdeu a mãe, está sem o amparo da melhor amiga e agora, fica sem o marido.
Agatha pula essa parte, mas só quem não quer ver é que pode continuar míope diante destes fatos. Agatha simplesmente teve mais um surto, dessa vez muito mais violento do que simplesmente "esquecer o nome". Ela se esqueceu de quem era por completo e saiu vagando pela Inglaterra. Na autobiografia, mais dois fatos podem ser acrescentados: desde pequena ela adorava "explorar" lugares desconhecidos e também havia a ligação emocional com o seu primeiro carro, o prazer de guiá-lo e de ter liberdade para ir onde quisesse.
Deste modo, ela teve a crise mais violenta, o "auge" de sua doença, bloqueando totalmente sua mente e só sendo encontrada semanas depois. O detalhe do nome que ela preencheu no livro do hotel (o nome da amante do marido) é muito interessante para os psis analisarem: eu partucularmente acredito que, uma vez tendo apagado da memória todos os fatos referentes a quem ela era, a dama lembrou-se de assinar o nome de quem ela gostaria de ser naquele momento.
Felizmente, a Dama foi encontrada no hotel e recuperou a memória e é comovente o seu relato de como enfrentou a doença por mais um ano, tendo esperanças de que o marido reconsiderasse sua decisão antes e conceder-lhe o divórcio. Quem já passou por situações semelhantes, deve conseguir entender como é difícil lidar com a sensação de que o mundo acabou.
Uma das coisas que a Agatha escreveu que mais me tocou (porque infelizmente, eu sei como isso é), foi que durante a crise, tudo o que ela não queria era lembrar de momentos felizes do passado. E isso é verdade, pessoal. Durante a depressão, recordar de coisas boas do passado só faz a realidade do presente ficar muito mais fria e dura. Basta dizer que a nossa escritora pensou inclusive em acabar com o sofrimento de uma vez, pela via-expressa. Death Greets me warm, now I will just say good-bye (Fade To Black - Metallica).
Esclarecido o mistério, quero aproveitar que ninguém está lendo este enorme e-mail e falar sobre mais um detalhe fantástico. Algo que me fez ver a Dama do Crime não só como uma escritora genial, mas também como um ser humano fantástico, uma mulher digna de toda a minha admiração e meu respeito. O detalhe é Rosalind.
Rosalind era uma criança de pouco mais de seis anos quando tudo aquilo ocorreu. Agatha não estava propriamente só em Ashfield, quando a depressão a atingiu. Rosalind, sua única filha, estava lá com ela. Vejam o comentário da escritora:
"Tinha Rosalind, é certo, evidentemente, porém, não podia dizer-lhe nada que a afligisse ou falar-lhe de desgostos ou de preocupações ou de doenças. Ela se sentia particularmente feliz, apreciando muitíssimo sua estada em Ashfield, como sempre - e ajudando-me muito em meus afazeres. Gostava de carregar coisas pelas escadas abaixo e joga-las no caixote do lixo e, por vezes, escolhendo algo para ela: "acho que ninguém vai querer isso aqui, acho que vou guardar".
Agatha, uma Mãe de Verdade, deixa claro que em nenhum momento esqueceu Rosalind. A felicidade da filha é sempre colocada em primeiro plano. Todo o processo decisório envolvendo o divórcio e sua posterior união com Max Mallowan (o segundo marido) foi ponderado levando em conta um fator: "isso será bom para Rosalind?"
A história da crise da Agatha acaba com uma longa viagem, que ela precisava fazer imediatamente após ter concedido o divórcio para o "Archie". Ela precisava fugir das recordações, fugir de Ashfield e de Londres, por um tempo, até que a dor passasse. E Rosalind? Onde ficou? Ora, mas que pergunta! Rosalind foi junto com a sua mãe na viagem. E Carlo, a melhor amiga, foi junto também! E elas voltaram, Agatha conheceu outro homem, muito melhor que o fujão anterior, e nunca mais teve nenhuma recaída. Literalmente, eles viveram felizes para sempre! :-)
"So close no matter how farcouldn't be much more from the heartforever trusting who we areand nothing else matters"Metallica - Nothing Else Matters

Bônus Pack: Agatha também sofreu bloqueio de escritora quando sua mãe morreu. Ao se recuperar do divórcio, ela ainda nada conseguia escrever. Recomendaram então que ela juntasse as pressas algumas novelas antigas e fizesse um livro para ganhar um dinheiro... ela fez isso, mal se dando conta do que escrevia. O resultado foi "Os Quatro Grandes". Conforme eu sempre suspeitei: eis aí a explicação para a "amarração" precária do livro e seu final um tanto quanto abrupto. No entanto, tanto eu quanto a Agatha nos surpreendemos favoravelmente com o sucesso que o livro fez. :-)
Escrito por Samael em 06-10-2003

Verdades

Controvérsia
Em sua autobiografia Agatha descreve o crescente distanciamento entre ela e o marido após a compra de uma casa no campo, quando ele se tornou afeito ao golfe, dedicando a maior parte dos seus fins-de-semana ao desporto. Mas a crise sobreveio quando, após a morte da sua mãe, Agatha precisou de assumir a organização da propriedade da família, Ashfield, em Torquay. Ela e o marido combinaram que iriam fechar a sua casa e ela passaria o Verão em Ashfield com a filha Rosalind, enquanto Archibald Christie, que trabalhava em Londres, ficaria a pernoitar no seu Clube, na cidade. Com a missão concluída, a família reencontrar-se-ia para uma viagem à Itália.

Agatha passou cerca de três meses a separar sozinha os documentos e objectos antigos da família, decidindo o que seria doado, deitado fora, distribuído entre os parentes – tarefa que, combinada com o seu sofrimento pela morte da mãe, a mergulhou numa profunda depressão. Na data combinada, Archibald Christie chegou e disse que não desejava mais viajar; por fim, acabou por confessar que durante a sua temporada sozinho em Londres se envolvera com outra mulher (Nancy Neele) e queria o divórcio para se poderem casar.

Esses eventos levaram ao colapso nervoso que culminou com o famoso desaparecimento da escritora.

Em Dezembro de 1926, o carro de Agatha foi encontrado abandonado, com as portas abertas, à beira de um lago, sem nenhum bilhete ou indício que indicasse o seu paradeiro. Foram feitas buscas intensas, sem sucesso; falou-se de rapto, suicídio e assassinato; o marido infiel virou suspeito; no entanto, depois de 12 dias, o empregado de um hotel na cidade de Harrogate contactou a polícia informando que uma hóspede parecia-se muito com as fotos divulgadas da desaparecida. Chegando ao local, os investigadores constataram que tratava-se de facto de Agatha Christie, que se havia registado no hotel sob o nome de Theresa Neele (o mesmo apelido da amante do seu marido).

A despeito das diversas teorias aventadas sobre o episódio – inclusive a acusação de que se tratara de um golpe publicitário – a autora jamais entrou em detalhes sobre o acontecido; a declaração oficial foi de que ela tinha sofrido um colapso nervoso que provocara uma crise de amnésia temporária.

Embora em seus livros autobiográficos não haja quase nenhuma informação sobre o desaparecimento, acredita-se que em "O Retrato", publicado sob o nome de Mary Westmacott, Agatha conte muito da sua história através da personagem Celia, que pensa em suicídio após ser abandonada pelo marido.

Será isso verdade?
Vejam isto que enocntrei na net, fala sobre as várias ideias uma a uma a que levaram a isso

Que bom ver todos reunidos aqui na biblioteca da mansão. Conforme o prometido, entreterei vocês esta noite, falando sobre o maior mistério da vida da Agatha: seu "inexplicável" desaparecimento durante três semanas no ano de 1926.
Durante este período, ela andou vagando pelo interior da Inglaterra, reaparecendo semanas depois, sem memória e hospedada em um hotel. O que pretendo esclarecer neste e-mail é o porquê dessa perda de memória. Por onde ela andou, bom, isso só Deus sabe (só Deus mesmo, lembrem-se que a própria Agatha estava desmemoriada).
A pergunta que vou responder é: o que leva uma pessoal normal (ou genial, no caso dela) a agir de modo tão estranho?
A resposta chegou até mim através de um documento "ultra-secreto", que na verdade é um livro que, apesar de escrito pela Dama do Crime, muitos poucos de seus fãs se dão ao trabalho de ler: a sua autobiografia!
Começamos a desvendar o mistério por trás do desaparecimento de Agatha ao sabermos que no início do ano de 1926 algo muito ruim aconteceu na vida da escritora:
"Foi quando subi num trem em Manchester que soube, subitamente, que mamãe morrera. Senti um frio, como se tivesse sido invadida, dos pés à cabeça, por uma frialidade mortal e então pensei: "mamãe morreu"."
Este foi o primeiro golpe que a escritora sofreu naquele ano e as conseqüências desse golpe foram muito mais extensas do que se pode imaginar. Agatha teve que abandonar o marido em Londres e se mudar para a casa que era de sua família, Ashfield. Lá, ela tinha muito trabalho a fazer: selecionar bens de família para vender, jogar fora outros tantos, enfim, cuidar da propriedade que enquanto sua mãe era viva, havia se transformado em uma espécie de depósito de relíquias da família Miller.
Foi então que ela sofreu um segundo golpe:
"O Destino desferiu-me mais um golpe, que foi a perda da companhia da minha querida amiga Carlo. Seu pai e madrasta estavam viajando na África e ela soube, repentinamente, que seu pai se achava muito doente no Quênia, e que o diagnóstico do médico fora câncer..."
Carlo era na ocasião, a melhor amiga da Agatha, aquele tipo de amiga que toda mulher tem, sabem? A "melhor amiga", a confidente, etc. Nesse ponto, Agatha já sentia que também estava doente. Em Ashfield, sem marido e sem a melhor amiga, sofrendo a dor da perda da mãe e cercada por uma mar de recordações de tempos felizes, Agatha adoeceu severamente. E, apesar de ela nada mencionar a respeito de seu posterior desaparecimento por três semanas, a Dama do Crime, com sua própria mão, revelou a chave do enigma e o nome do mal que lhe afligiu:
"Uma terrível sensação de solidão passou a se apoderar de mim. Acho que não entendi que, pela primeira vez na minha vida, estava seriamente doente. Fora sempre muito saudável e não tinha experiência de como a infelicidade, os desgostos e a estafa podem afetar a saúde física. Fiquei, porém, aflita, quando, um dia, ia assinar um cheque e não conseguia saber com que nome assiná-lo!"
Além desse episódio, Agatha ainda conta que dias depois, o seu carro não pegava e ela desatou a chorar, inconsolavelmente. Ela mesma se pergunta: por que alguém cairia em um choro compulsivo por causa de um simples carro que não liga o motor? Foi somente muitos anos mais tarde, quando uma amiga da escritora relatou para ela sintomas semelhantes (a amiga se pegou chorando porque a roupa da lavanderia não havia chegado na hora certa), foi somente nessa ocasião, que algo despertou dentro da escritora e ela aconselhou a amiga:
"Acho que você deve se cuidar; provavelmente estes são os primeiros sintomas de uma depressão nervosa. Você deve consultar o médico".
Aqui está a chave de tudo, amigos! Antes mesmo do seu divórcio, Agatha já revela que uma doença terrível a está afetando e vejam o exemplo: ela simplesmente surta e esquece o seu nome quando tem que assinar um cheque. A Dama do Crime está sofrendo de depressão.
O golpe que ela sofre a seguir é algo que eu não desejaria nem para um cachorro. "Archie" (seu marido) também tem os seus próprios problemas: ele não suporta a infelicidade, ele precisa fugir de doenças e de infelicidade ao seu redor. Agatha é bem honesta ao dividir a culpa do divórcio entre ela e Archie, inclusive chamando toda a responsabilidade para si. Afinal, diz ela, "Archie" foi esquecido e com isso abriu-se espaço para que ele sofresse outras influências.
Mas o fato é que o Sr. Archibald Christie apareceu num final de semana em Ashfield para comunicar que havia se envolvido com outra mulher e que pretendia deixar Agatha. Não havia mais possibilidade de permanecer com uma "infeliz" Agatha.
Imaginem a situação: Agatha está doente, sua doença já causou surtos nos quais ela esqueceu de assinar o próprio nome em uma folha de cheque. Perdeu a mãe, está sem o amparo da melhor amiga e agora, fica sem o marido.
Agatha pula essa parte, mas só quem não quer ver é que pode continuar míope diante destes fatos. Agatha simplesmente teve mais um surto, dessa vez muito mais violento do que simplesmente "esquecer o nome". Ela se esqueceu de quem era por completo e saiu vagando pela Inglaterra. Na autobiografia, mais dois fatos podem ser acrescentados: desde pequena ela adorava "explorar" lugares desconhecidos e também havia a ligação emocional com o seu primeiro carro, o prazer de guiá-lo e de ter liberdade para ir onde quisesse.
Deste modo, ela teve a crise mais violenta, o "auge" de sua doença, bloqueando totalmente sua mente e só sendo encontrada semanas depois. O detalhe do nome que ela preencheu no livro do hotel (o nome da amante do marido) é muito interessante para os psis analisarem: eu partucularmente acredito que, uma vez tendo apagado da memória todos os fatos referentes a quem ela era, a dama lembrou-se de assinar o nome de quem ela gostaria de ser naquele momento.
Felizmente, a Dama foi encontrada no hotel e recuperou a memória e é comovente o seu relato de como enfrentou a doença por mais um ano, tendo esperanças de que o marido reconsiderasse sua decisão antes e conceder-lhe o divórcio. Quem já passou por situações semelhantes, deve conseguir entender como é difícil lidar com a sensação de que o mundo acabou.
Uma das coisas que a Agatha escreveu que mais me tocou (porque infelizmente, eu sei como isso é), foi que durante a crise, tudo o que ela não queria era lembrar de momentos felizes do passado. E isso é verdade, pessoal. Durante a depressão, recordar de coisas boas do passado só faz a realidade do presente ficar muito mais fria e dura. Basta dizer que a nossa escritora pensou inclusive em acabar com o sofrimento de uma vez, pela via-expressa. Death Greets me warm, now I will just say good-bye (Fade To Black - Metallica).
Esclarecido o mistério, quero aproveitar que ninguém está lendo este enorme e-mail e falar sobre mais um detalhe fantástico. Algo que me fez ver a Dama do Crime não só como uma escritora genial, mas também como um ser humano fantástico, uma mulher digna de toda a minha admiração e meu respeito. O detalhe é Rosalind.
Rosalind era uma criança de pouco mais de seis anos quando tudo aquilo ocorreu. Agatha não estava propriamente só em Ashfield, quando a depressão a atingiu. Rosalind, sua única filha, estava lá com ela. Vejam o comentário da escritora:
"Tinha Rosalind, é certo, evidentemente, porém, não podia dizer-lhe nada que a afligisse ou falar-lhe de desgostos ou de preocupações ou de doenças. Ela se sentia particularmente feliz, apreciando muitíssimo sua estada em Ashfield, como sempre - e ajudando-me muito em meus afazeres. Gostava de carregar coisas pelas escadas abaixo e joga-las no caixote do lixo e, por vezes, escolhendo algo para ela: "acho que ninguém vai querer isso aqui, acho que vou guardar".
Agatha, uma Mãe de Verdade, deixa claro que em nenhum momento esqueceu Rosalind. A felicidade da filha é sempre colocada em primeiro plano. Todo o processo decisório envolvendo o divórcio e sua posterior união com Max Mallowan (o segundo marido) foi ponderado levando em conta um fator: "isso será bom para Rosalind?"
A história da crise da Agatha acaba com uma longa viagem, que ela precisava fazer imediatamente após ter concedido o divórcio para o "Archie". Ela precisava fugir das recordações, fugir de Ashfield e de Londres, por um tempo, até que a dor passasse. E Rosalind? Onde ficou? Ora, mas que pergunta! Rosalind foi junto com a sua mãe na viagem. E Carlo, a melhor amiga, foi junto também! E elas voltaram, Agatha conheceu outro homem, muito melhor que o fujão anterior, e nunca mais teve nenhuma recaída. Literalmente, eles viveram felizes para sempre! :-)
"So close no matter how farcouldn't be much more from the heartforever trusting who we areand nothing else matters"Metallica - Nothing Else Matters

Bônus Pack: Agatha também sofreu bloqueio de escritora quando sua mãe morreu. Ao se recuperar do divórcio, ela ainda nada conseguia escrever. Recomendaram então que ela juntasse as pressas algumas novelas antigas e fizesse um livro para ganhar um dinheiro... ela fez isso, mal se dando conta do que escrevia. O resultado foi "Os Quatro Grandes". Conforme eu sempre suspeitei: eis aí a explicação para a "amarração" precária do livro e seu final um tanto quanto abrupto. No entanto, tanto eu quanto a Agatha nos surpreendemos favoravelmente com o sucesso que o livro fez. :-)
Escrito por Samael em 06-10-2003